13.6.03



Canção da mirada secreta - Lia Luft



Foram-se os amores que tive
ou me tiveram. Partiram
num cortejo silencioso e iluminado.
A solidão me ensina
a não acreditar na morte
nem demais na vida: cultivo
segredos num jardim
onde estamos eu, os sonhos idos,
os velhos amores e os seus recados,
e os olhos deles que ainda brilham
como pedras de cor entre as raízes

Se eu parasse para pensar em cada amor que já veio e já foi nesta minha vida, acho que chegaria à conclusão que cada um deles, do seu jeito, veio e me deixou um cristal. Um, o cristal lilás que representa a atividade mental, o aprendizado; outro, o cristal amarelo da energia; outro, o cristal branco da purificação. São realmente como pedras coloridas entre as raízes, pavimentando o caminho que percorro na vida.

Cada amor destes me sustenta de um jeito. O dia dos namorados serviu para que eu relembrasse cada um deles, com amorosa gratidão. Esse mosaico que vocês montam para mim é precioso. Amigos, amantes, parentes, pessoas que amei de longe, pessoas que amei bem de perto. Eu os amo de volta, e sempre amarei. Sigamos adiante.

O que será que a curva da estrada nos trará?

12.6.03



Mini-conto do Dia dos Namorados



Ela tinha um amor, mas nunca se encontravam. Ela então construía belíssimas moradas com fiapos para tentar capturar este amor que lhe fugia. Como uma tecelã de sonhos, entretecia os fiapos de realidade e os restos de ilusão, criando nestes ninhos de espera texturas e visões que não existiam antes. Mas ela não sabia que tecer sonhos era tão perigoso, e um dia perdeu-se em um deles. A última notícia que tiveram dela era que tinha estabelecido residência no sonho-do-minuto-antes-de-acordar. Seu amor, infelizmente, permanecia no sono profundo e sem sonhos onde ela o deixara.


10.6.03



Tenho escrito coisas tristes, e talvez pareça aos meus amigos que fazem a gentileza de ler o Asa que só têm acontecido coisas ruins comigo ultimamente. Nada mais longe da verdade. Para ser sincera, mesmo as coisas mais doídas têm servido para tanto aprendizado e autoconhecimento, que só posso chamá-las de boas.

Mas me aconteceu uma coisa verdadeiramente BOA, sem uma mancha de tristeza. Fui apresentada ao blog de uma criatura extraordinária, que tem tido a paciência e a bondade de se corresponder comigo. Tem sido um amigo e um orientador, daquele melhor tipo, o que nos torna um pouquinho mais seguros de nós mesmos. Estou falando do Ruy Maia Freitas, do excelente blog Despoina Damale, que está à esquerda, nos links da borboleta.

Li no blog do Ruy que ele vai ficar "de molho" uns dias por causa de uma pequena (ele espera e eu também) cirurgia. Ruy, todos os meus votos de pronto restabelecimento. Volte logo, e volte bem, pois não acredito ser a única pessoa que PRECISA de você.

Minhas orações estão contigo.


Adoro ganhar presentes. Gosto muito mesmo! Não importa o valor, nem o tamanho do presente, e ele é ainda mais prezado quando é inesperado. Pois eu ganhei esta linda borboleta faiscante, de um rapaz com os olhos mais doces que já vi. E que sorriso bonito, ainda mais bonito por ser raro. Obrigada, meu querido. É um privilégio e uma honra poder conviver com você, Alberto, e chamá-lo de aluno, apesar de saber que aprendo muito mais com vocês que vocês comigo.

9.6.03



Os Homens - Cora Coralina



Em água e vinho se definem os homens.

Homem água. É aquele fácil e comunicativo.
Corrente, abordável, servidor e humano.
Aberto a um pedido, a um favor,
ajuda em hora difícil de um amigo, mesmo estranho.
Dá o que tem
-- boa vontade constante, mesmo dinheiro, se o tem.
Não espera restituição nem recompensa.

É como água corrente e ofertante,
encontradiça nos descampados de uma viagem.
Despoluída, límpida e mansa.
Serve a animais e a vegetais.
Vai levada a engenhos domésticos em regueiras, represas e açudes.
Aproveitada, não diminui seu valor, nem cobra preço.
conspurcada seja, se alimpa pela graça de Deus
que assim a fez, servindo sempre
e à sua semelhança fez certos homens que encontramos na vida
-- os Bons da Terra -- Mansos de Coração.
Água pura da humanidade.

Há também, lado-a-lado, o homem-vinho.
Fechado nos seus valores inegáveis e nobreza reconhecida.
Arrolhado seu espírito de conteúdo excelente em todos os sentidos.
Resguardados seus méritos indiscutíveis.
Oferecido em pequenos cálices de cristal a amigos
e visitantes excelsos, privilegiados.

Não abordável, nem fácil sua confiança.
Correto. Lacrado.
Tem lugar marcado na sociedade humana.
Rigoroso.
Não se deixa conduzir -- conduz.
Não improvisa -- estuda, comprova.
Não aceita que o golpeiam,
defende-se antecipadamente.
Metódico, estudioso, ciente.

Há de permeio o homem vinagre,
uma réstia deles,
mas com esses não vamos perder espaço.
Há lugar na vida para todos.
Em qual dos grupos se julga situado você, leitor amigo?

Eu li este poema da velha poetisa goiana Cora Coralina com o coração batendo forte pelo reconhecimento, quase podendo escutar a voz tremida da anciã a declamá-lo. As velhas senhoras da minha família têm esta força da poetisa, força que vem da terra e do conhecimento das coisas da vida. Eu vi minha avó e minha tia-avó, bugras velhas lá das bandas de Mato Grosso, cheias desta sabedoria do mato e das coisas que crescem. Nenhuma sapiência de livro, mal sabiam ler o livro de orações e o de histórias da carochinha, de noite, antes de eu pedir minha bênção e ir dormir. Mas aquela voz, cheia de ressonância, como que vindo das profundezas do passado, esta voz eu conheço, e é a mesma voz que me chega de Goiás.

Vó Coralina, eu sempre tentei com todas as minhas forças ser mulher-água. Mulher-fonte, que traz aos outros a força de que necessitam, sempre foi de servir que veio a minha força. Mas mansa, Vó, mansa eu não sou não. Que serei eu então?

Mulher-vinho eu certamente não sou, com estas porteiras da alma escancaradas, que deixam entrar qualquer viajante que passe por perto. Não sou nobre, sou simples e campesina, de pé no chão e de fala simples.

Vinagre? Azedei, Vó Cora? Acho que não, temo que sim, luto contra. Às vezes acho que perdi a batalha, mas basta um olhar doce da minha gata, um sorriso de criança pequena, uma flor bonita, e minha alegria de viver explode incontida.

Acho, Vó, que sou mulher-sangue, parindo minha alma todos os dias ao acordar, e recolhendo os cacos dela à noite, como uma Pietá a sustentar o filho morto nos braços. Mulher-sangue, suor e lágrimas.

7.6.03

O ruim de quando as pessoas partem para o infinito antes de nós, é que ficamos sem aquela parte -- às vezes importante -- do nosso coração, e não podemos jamais recuperá-la.

Perdi um bocado da alegria de estar na Internet com a partida do meu Carneirão. Ele era uma pessoa que invariavelmente me fazia sorrir, e trazia um comic relief para a feiúra que nos circundava. Trazia para mim, lá de longe, de Barcelona, um olhar de admiração pela minha feminilidade que me fazia muito bem. E uma amizade alegre e sem desarmonia. Hoje me bateu uma saudade imensa do meu Carneirão, uma vontade meio maluca de escrever um e-mail para ele. Escrevo aqui, Alex amado. Aguardo resposta em meus sonhos...

A morte de minha mãe me tirou o colo. Com ninguém mais fui capaz de simplesmente recostar a cabeça e me deixar amar sem sobressalto. O amor que recebemos de uma mãe é um amor sem medo. Todos os outros que tive sempre tiveram a sua parcela de inquietação, de ansiedade. Eles estão aqui mas podem acabar, são mais frágeis. Mãe, estou cuidando de todos como prometi, mas às vezes precisava tanto ser apenas sua criança novamente... manda para sua filha a sua bênção, querida...

A morte de meu confessor, D. João, me tirou a tranquilidade. Quando ele era vivo, eu sabia que qualquer dúvida que me assolasse, fosse ela espiritual ou intelectual, eu podia procurar aquele homem culto, sábio e que me amava e queria verdadeiramente meu bem. Eu sabia que ele tentaria sempre me esclarecer sem me abafar, sempre me ensinar sem me manipular, sempre me guiar sem me empurrar. Paizinho João, quando vou à missa no mosteiro, escuto clara e forte a sua voz, no Canto Gregoriano. Fala comigo no meu coração, aguça meu olhar e minha intuição. Fortalece meu espírito, meu pai amado.

Os meus mortos, os meus mortos. Como eles são parte de mim, como têm estado presentes! A todos eles, peço que me firmem nesta vida, que me apóiem nas missões que ainda tenho que cumprir, e que preparem minha chegada à Morada Eterna. Meus amores, ajudem sua Borboleta exilada aqui neste lugar por vezes tão penoso. Mandem daí a alegria interior que eu preciso. Há muito ainda o que fazer antes de me juntar a vocês. Quisera fosse logo....

30.5.03

Agradecimentos sinceros ao meu mais querido copydesk,
all-around great guy,
Cabritinho super-duper maravilhoso
O mais adorável socialmente incorreto de todos!
BEIJOS, RENAN CANELLAS!!!
Hummm... eu devia colocar aquela foto dele aqui...
Devia? Será que eu devia?
Hummmmm....
Hein?!

28.5.03

LADAINHA



Pai das borboletas
- ouvi-me
Criador das flores
- ajudai-me
Senhor dos ventos
- socorrei-me
Regente dos vôos
- amparai-me
Eterno Norte
- tende piedade de mim
Provedor do pólem
- acolhei a minha súplica
Mão que ampara as asas
- levai-me para junto de Vós
Sopro que eleva
- tornai meu vôo firme e confiante
Sol benfazejo
- realçai o brilho das minhas asas
Olhar que desabrocha as rosas
- guiai-me a Vosso Jardim Eterno
Voz que silencia o trovão
- acalmai a agitação em torno de mim
Presença faiscante de luz
- bani das minhas vistas a ilusão
Braço que sustenta o mundo
- tirai o peso do meu coração
Sois Vós o Pai amantíssimo
Sois Vós o Abraço amigo
Sois Vós o Olhar tolerante
Sois Vós o Amor que aconselha
Sois Vós a Vida que nunca cessa
Olha por Vossa filha que Vos ama...
Amém.

27.5.03

Improvisando sobre uma pequena história de Luis N.



De dentro para fora o sorriso cresceu anunciando a todos a completa alegria daquela mulher. Mas há sempre um momento em que é preciso deixar tudo para trás, e o sorriso não escapou à regra. A mulher ficou muito triste e, de fora para dentro, as suas lágrimas inundaram-lhe a alma e afogaram-lhe a tristeza. E tudo começou de novo.

Muitas vezes emudecemos nossa alma para escutar milhares de vozes do lado de fora. Mas silêncio de alma é uma coisa interessante. Quando silenciamos por dentro, a danadinha vai esperando, esperando, esperando, até que uma bela hora, sem aviso prévio, ela dá um grito angustiado de "CHEGA!"

Você não tinha percebido, porque não escutava sua voz interior, mas sim a voz daqueles outros todos que te amam / odeiam / querembem /queremmal / brincamcomvocê / queremvocêséria / queremseucolo / queremdarcolo .... você rodopiava, risonha, no meio do burburinho, mas enquanto isto a borboleta na sua alma preparava mais um casulo, pois era hora de crescer asas mais fortes, asas de borboleta monarca, azuis faiscantes e enormes. E veio a queda.

O casulo é escuro e amedrontador, principalmente porque você SABE que vai sair muito diferente do que entrou, e suas roupas velhas não vão servir mais; que certos acordos que você fez aqui fora não valem mais; que o contorcionismo de sua vontade para se adaptar à do outro acabou; que você vai sair deste sarcófago vivo com outra força, com outra sabedoria, seja do riso, seja da lágrima.

Há, sim, meu amigo, o momento de deixar tudo para trás. O meu momento é agora.

8.5.03



Conto para o dia das Mães


Conheceram-se, amaram-se e casaram-se, como fazem tantos casais. A Lua de Mel foram as férias que os dois não usufruíam fazia anos. Voltando de viagem, estabeleceram residência na espaçosa casa que esperava por eles. Pareciam um jovem casal bem de vida, como todos os casais bem de vida da rua. Aí começaram as diferenças, que tornaram aquela casa e aquela família a mais cheia de luz da vizinhança.

Quando completaram um ano de casados, depois do jantar a dois, ela deu a ele um presente. Uma caixa linda, forrada por fora de um suave tecido floral, e por dentro de ramos de alfazema seca. Não era uma caixa muito grande, um tanto maior que duas caixas de sapatos. Era uma linda caixa. Mas estava vazia.

- Bonito, amor! A caixa é linda mesmo... dizia ele solícito, sem entender muito bem o presente.
- Obrigada, meu doce, disse ela, fui eu mesma montei e que forrei. É a sua primeira caixa de lembranças.
- Caixa de lembranças?!
- É. Eu sei que você tem, no fundo daquela caixa que você guardou no sótão, lembranças da sua mãe, da sua avó, da menina que sua primeira esposa perdeu. Você me mostrou, faz muito tempo, antes de casarmos, lembra? Pois acho que guardar a memória das pessoas mortas que você ama no sótão é uma coisa muito triste. Resolvi que vou fazer uma caixa de lembranças para cada uma delas, e para os meus amores mortos também. Esta é a primeira. Você mesmo escolhe quais as lembranças que vai guardar nela. Vê, eu fiz uma para minha mãe.

Ele recebeu o presente em silêncio, olhou o cuidadoso carinho impresso na caixa, e sentiu que não ia segurar as lágrimas. Que não queria segurá-las. Deixando-as cair, beijou e abraçou sua jovem esposa, e examinou com ela as lembranças da mãe que ela depositara na caixa irmã da sua. Algumas fotos, uma ou duas medalhas (a mãe tinha sido muito religiosa em vida), o livro de meditação favorito, um caderno de capa dura...

- O que é este caderno?
- Ahm - ela parecia encabulada - enquanto eu montava a caixa, lembrei de muitas histórias minhas com minha mãe, mas não sabia como colocá-las aqui, então comecei a escrever este caderno... são as minhas lembranças de minha mãe.
- Posso ler?
- Pode, amor, claro, mas não espera grandes literaturas, viu, são só as coisinhas pequenas, as doçurinhas, até algumas brigas, são os dias comuns. Nada de mais...

Ele começou a ler, e as lembranças de sua mulher eram tão doces, tão lindas na sua simplicidade, que ele também começou a lembrar. A mãe fazia uma sobremesa que ele simplesmente amava, quando era criança. Ele implorava por aquele doce, como era mesmo que a mãe chamava? E aquele passeio que fez com os pais, onde ele viu neve pela primeira vez? As memórias começaram a fluir, rápidas, e ele contava para a mulher, e eles riam e trocavam lembranças, bebiam um bom licor e a sala foi ficando cheia de personagens do passado. O ascensorista daquele hotel, que fazia uma careta hilária para o pequenino garoto que ele fora, o cartão que recebera da mãe e o deixara tão orgulhoso, na sua formatura... ele o tinha em algum lugar....

- Nossa, quanta coisa que eu nem lembrava que lembrava! Acho que vou esquecer tudo de novo amanhã de manhã...
- Não vai não, disse sua mulher piscando e dando a ele um caderno de capa dura, igual ao seu. Pode começar a escrever.

Depois daquela noite, eles criaram o hábito de sentar e lembrar as histórias da infância, da adolescência. As diferentes caixas de lembranças foram surgindo, e os cadernos sendo preenchidos. Ela gostava de fazer trabalhos manuais, e reservara um aposento da casa como sua oficina. Era um cômodo amplo, com um janelão que dava para o quintal, um dos mais agradáveis da casa, e nele havia um armário comprado numa feira de antiguidades, que ela pintou e reservou para as caixas de lembranças. Eram quadradinhos coloridos e perfumados de memória. Quando as crianças vieram, elas foram incluídas neste hábito de lembrar, e o Dia de Finados era uma festa mais esperada que a Páscoa, ela fazia um grande almoço, e a criançada mal podia esperar pelo final da refeição:

- Mãe, traz as caixas, traz as caixas!!!

Era a tarde toda examinando fotos antigas, guardadas com todo cuidado em envelopes plásticos, para que não se rasgassem nas mãos dos mais pequenos, escutando as histórias, fazendo perguntas numa alegre algazarra.

- Pai, como foi mesmo que morreu esse seu amigo gato?
- Menina, respeito com o Joca! Era meu melhor amigo quando tinha sua idade. Aliás, acho que é meu melhor amigo até hoje.
- É o que dá menos despesas nos churrascos! Dizia a mulher rindo, abraçada a ele no sofá.
- Mãe, como foi mesmo seu passeio na Disney com a Vó Helena?
- Menino, você já escutou esta história mil vezes! Escolhe outra!
- Ah, manhê, é a minha favorita!
- Tá bom, tá bom...

Os amigos e conhecidos começaram a participar do que eles a esta altura chamavam de "história empacotada da família", e eles ganhavam cadernos especialmente trazidos de viagens à Europa, caixas lindas, fitas coloridas, envelopes. Quando morria alguém querido, a família, assim que o luto amainava, trazia para ela pequeninos pedaços de lembrança... "Mãe, põe na caixa do Vô Beto..." "Querida, olha que linda foto do seu pai que achei... põe na caixa..."

Quando ela morreu, ainda tão jovem, a família não suportou entrar no atelier por um bom tempo. As caixas de lembrança ficaram trancadas lá, pegando poeira, por quase um ano. Uma tarde de domingo, a filha mais velha, que sempre fora a mais apaixonada pelas tardes de histórias que os pais contavam, veio conversar com o pai:

- Pai, eu queria fazer um pedido.
- Pede, filha.
- Eu quero levar para minha casa o armário da mãe com as caixas de lembrança.
- Seus irmãos...
- Já falei com os dois. Eles estão de acordo. Eu preciso das caixas, porque quero começar a fazer a mais importante de todas, a caixa de lembranças da mãe.

O pai, velhinho, olhou fundo nos olhos da filha, tão parecida com a mãe, tão parecida... e lembrou daquele primeiro presente, da frase da esposa "... o sótão não é lugar para guardar suas memórias..." As lágrimas correram de novo. E, novamente, beijou na testa da filha a mulher que amava.

- Leva, então, filha.
- Ah, papi, obrigada!

O livro que ela escreveu, "A Caixa de Maria", foi um enorme sucesso de vendas e de crítica, e a lançou como a grande escritora de sua geração.